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EET-1 OSÓRIO MBT
O SONHO BRASILEIRO
pAULO ROBERTO DE CASTRO
tRUMPETER 1/35
A história deste tanque se confunde com a história vivida pelo Brasil em meados dos anos 80. O Brasil vivia uma época de mudanças políticas profundas, que marcaram o fim do período de ditadura e o início da democracia, estabelecida com o voto popular. Neste universo, o Brasil já representava uma grande força na venda de equipamentos militares, principalmente para os países árabes. Esses equipamentos eram, em sua maioria, carros de combate blindados do tipo Cascavel e transporte de tropas Urutu. Mas, naquela época, o governo saudita estudava a possibilidade de renovar sua frota de tanques de combate (MBT), mas não estava inteiramente satisfeito com o que estava disponível no mercado. Assim, a ENGESA – (Engenheiros Especializados S/A), que era a fabricante do Cascavel e Urutu, fornecidos aos países árabes, resolveu investir no desenvolvimento de um tanque de combate que viesse a satisfazer as exigências do governo saudita e ao mesmo tempo oferecer ao governo brasileiro um MBT que fosse adequado às realidades brasileiras, sem deixar de ser uma opção real para a atualização de suas divisões blindadas. Primeiramente, decidiram por comprar um projeto estrangeiro já existente, apurou-se que a Thyssen-Henschel (Alemanha), possuía um projeto designado Leopard 3, mas na verdade o projeto não passava de uma versão melhorada do Tanque Argentino Médio – TAM, que é uma derivação do veículo de combate de infantaria (VCI) Marder. O carro não teria a mínima condição de concorrer com veículos da classe do Leopard 2, M1 Abrams, Challenger e outros.

Com a sorte lançada, foram fixadas algumas premissas básicas: a largura máxima deveria ser de 3,20m, máximo de 42 tom, dois canhões principais (uma versão com canhão de 120mm e outra com canhão de 105mm (L7/M68)). Foi batizado de Osório, em homenagem ao patrono da Cavalaria do Exército Brasileiro. Foi escolhida a suspensão hidropneumática da Dunlop (a mesma usada no Challenger inglês), a transmissão ficou acertada com a ZF LSG3000, pois a ZF conta com fábricas no Brasil. Para o motor, decidiu-se por um da MWM (Alemanha), o TBD 234 de 1000cv diesel, mesmo nunca tendo sido usado em veículos de combate. Os trabalhos de desenvolvimento começaram no segundo semestre de 1983 e o primeiro protótipo do carro ficou pronto em setembro de 1984; em maio de 1985 recebeu a “Torre Padrão” e o protótipo já foi enviado à Arábia Saudita. Na ocasião, tal atitude parecia uma incoerência, o veículo não era inteiramente representativo daquilo que seria, mas contra tudo, o veículo foi embarcado em um avião e enviado a Ryad em 20/07/1985, ao desembarcar, já encontrou um de seus rivais fazendo as provas, era o Challenger.

Nessa primeira prova, o Osório encontrou problemas com seu motor que foram prontamente solucionados pela MWM quando do retorno ao Brasil. Nessa mesma época, o Exército Brasileiro submeteu um dos protótipos equipado com canhão de 105mm a um processo completo de RTEx (Relatórios Técnicos Experimentais) e RTOp (Relatórios Técnicos Operacionais). No começo de 1986, a Vickers entregou a segunda torre (com canhão de 120mm), imediatamente incorporada ao chassis, e incorporadas às lições e aprimoramentos ditados pelos testes realizados anteriormente nas areias do deserto e os RTEx e RTOp, no Brasil. Finalmente, em julho de 1987, o protótipo definitivo do Osório, acompanhado das melhores esperanças da ENGESA, seguiu para uma nova fase de competição na Arábia Saudita. Lá estavam seus adversários: o Challenger, o AMX-40 e o M1 Abrams, que a exemplo dele, seriam todos tripulados por equipes de militares sauditas, indicados por sorteio.

Foram 2350 km de rodagem (1750 km no deserto), superação de trincheiras de três metros de largura, dar partida em rampa de 65%, rodar em rampa lateral de 30%, testes de aceleração, frenagem, pivotamento (180 graus), consumo de combustível (2,1 km/l no deserto e 3,4 km/l em estradas pavimentadas), remoção e instalação de lagartas (10 min para remoção e 20 min para instalação), 6 horas com motor funcionando e o carro parado, 6 km em marcha à ré e reboque de um carro de combate de 35 tom por 10 km. Na parte de tiro, foram efetuados 149 disparos, sendo 82 em situações de veículo e alvo estacionados (maior distância = 4000 metros), veículo estacionado e alvo móvel, veículo em movimento e alvo estacionado, e, veículo em movimento e alvo em movimento (maior distância = 1500 metros). Nas partes técnica, operacional e de engenharia o Osório correspondeu plenamente ao que dele se esperava, e juntamente com o M1 Abrams foi declarado passível de ser comprado pelos sauditas. Quando o excelente e bilionário negócio parecia estar prestes de ser concretizado, revelou-se a real faceta desse tipo de mercado, o peso político e econômico dos EUA determinaram o vencedor. A dinastia saudita sempre depositou sua continuidade, num providencial socorro de Washington, isso ficou mais evidenciado em 1991, com a invasão do Kwait pelo Iraque de Saddam Hussein. Com isso, ocorreu o fim da ENGESA, e o Exército Brasileiro ficou sem um carro de combate nacional comparável ao naipe dos melhores existentes lá fora. O Brasil tornou-se hoje, um importador de blindados de segunda mão.

Destacam-se como primeiras considerações, o nome do modelo que
encontra-se errado, pois existiu apenas o EE-T1 Osório (a designação EE-T2
seria dado ao modelo caso fosse firmada a encomenda saudita, o que
definitivamente não ocorreu).

O
kit é muito bom, em plástico bege claro, mas prepare-se, pois há muita
rebarba a ser retirada em todas as fazes de montagem. Vamos fazer um resumo
seguindo estas etapas.
Assim,
terminamos a fase da montagem e partimos para a pintura e envelhecimento.



Comecei fazendo um primer, usando Tamiya Flat Brown XF-10, no intuito de se obter algo como um pré-sombreamento. Esta foi a primeira vez que tentei esta técnica e confesso que não fiquei satisfeito, devido principalmente a minha inexperiência, onde não consegui obter o sombreamento que eu desejava, mas já consegui visualizar onde errei para ter maior sucesso na próxima vez. Após esse primer, realizei uma inspeção para corrigir falhas de masseamento e chegou a hora da cor principal.

Apesar das instruções recomendarem usar Tintas Gunze Mr. Color, eu preferi usar a Model Master Sand – FS33531, pois achei que se aproximava mais das cores mostradas em minhas referências (Mais tarde um amigo me disse que nunca havia visto aquele tom de areia ser utilizado nos Osório, mas decidi permanecer com as referências que eu tinha em mãos, assim há a opção de seguir a orientação das instruções que parecem estar bem corretas). A lona do canhão, pintei com Tamiya Desert Yellow XF59, as esteiras pintei primeiro com Model Master Metalizer Lacquer – Burnt Metal Buffing Metalizer, seguido de Tamiya Flat Black XF1 para as sapatas de borracha. As metralhadoras foram pintadas com Tamiya Gun Metal X10, as pontas dos lançadores de granadas fumígeras e as antenas foram também pintadas com Tamiya Flat Black XF1. Para o farolete traseiro, usei caneta de retroprojetor de ponta fina na cor vermelha. Novamente usei caneta de retroprojetor de cor laranja para pintar a luz de sinalização na torre. Não usei nenhum decalque, pois minhas referências não os mostravam, após o término do modelo, contudo, soube do lançamento por uma empresa nacional de decalques para este modelo, mas já era tarde demais.

Após
o término da pintura de todos os detalhes pequenos, parti para o envelhecimento
do modelo. Como esse modelo especificamente, foi usado apenas em testes, decidi
fazer apenas um envelhecimento leve (apesar de gostar de modelos bem gastos e
envelhecidos), para isso eu usei apenas giz pastel seco.
Basicamente
eu procedo da seguinte forma:
·
- Com a faca de modelismo eu raspo o bastão de giz para obter um pó bem
fino;
·
- Usando um pincel de ponta fina, pego o giz pastel e aplico sobre o
modelo;
-
Sopro o excesso de giz e continuo passando o pincel fino;
-
Em seguida, pego um pincel mais largo, macio e limpo, e passo sobre o mesmo
local que passei com o pincel fino, de forma a obter uma suavização das bordas
e ainda retirar o excesso de giz;
-
Aplico esse procedimento em todos os cantos, ao redor dos equipamentos e nas áreas
onde há dobras e vincos.
Para
esse modelo, não usei tons que sugeririam ferrugem e desgaste excessivo do veículo,
e sim apenas o efeito do acúmulo de poeira proveniente do seu uso durante os
testes. O tom do giz foi escolhido o mais próximo possível do tom de areia,
porém com uma diferença do tom usado na pintura do modelo. Fui generoso na
aplicação do giz nas esteiras e rodas, dando a entender que este modelo estava
em pleno uso.
Com
isso concluí o modelo, e tenho uma peça que figura como meu primeiro blindado
“nacional” em minha coleção.
Gostaria
de agradecer a Maria Clara Saraiva Biavatti, por gentilmente ter revisado esse
artigo.
Vejam o artigo em inglês para outras fotos do mesmo projeto.
Divirtam-se!


Aqui está uma lista com alguns sites bastante úteis para uma leitura
mais aprofundada ou para referências.